Jessica Jones: Como ela estará na segunda temporada?

 

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A primeira temporada da Jessica Jones foi um grande sucesso na Netflix, mesmo tendo alguns altos e baixos e uma barriga no meio da temporada que acabou tornando ela mais longa do que poderia ser – o que seria resolvido colocando a personagem para investigar outros casos que não fossem o Killgrave. Mas no fim da trama o Homem Púrpura acabou indo pro bico do corvo. Será que isso resolveu os traumas da heroína relutante?

Segundo Melissa Rosenberg, a showruner do seriado, garante que não.

Eu aprendi trabalhando em Dexter que você pode evoluir o personagem, mas você nunca vai querer curá-lo. Com Dexter, no momento em que ele se sente culpado ou que aceita que é “mal”, o show acabou. Ele não é mais um sociopata. O equivalente para nós seria se a Jessica, de alguma forma, se recupere do dano que foi feito à ela. Pessoas não se curam simplesmente, você não passa por tudo isso e de repente diz “Oh, ele foi preso, ele tá na cadeia, eu to de boas agora.” O trauma é uma parte grande quem ela é agora.

Segundo a criadora, as formas de enfrentamento que Jessica acabou psicologicamente criando para se manter longe de Killgrave, bebendo e se isolando, afastando todos de perto de si, acabarão voltando, mesmo sem a presença do vilão.

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Eu acho isso bom, com algumas ressalvas. Claro que superar o trauma de uma hora para a outra, além de irreal, seria diminuir muito a profundidade da personagem. Como a própria Melissa disse, o trauma é parte do que ela é. O que Killgrave fez com ela deixou marcas fortes na mente e na personalidade dela. Jessica Jones e sua relação com o Homem Púrpura é uma alegoria à inúmeros relacionamentos abusivos, que levam muito tempo para terem suas consequências superadas. Acompanhar o processo de recuperação da personagem é imprescindível.

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Por outro lado, realmente espero que outros aspectos da vida dela sejam trabalhados. O lado detetivesco, a força e a determinação, por exemplo. Mantê-la por mais uma temporada vinculada unicamente à sombra do Killgrave pode, além de tornar a temporada arrastada como foi parte da primeira, ter o efeito contrário de empoderamento ao qual a série se propõe. Ela, ao invés de ter sua própria individualidade, se tornaria uma personagem feminina que depende de um personagem masculino como único background.

Krysten Ritter retorna como Jessica Jones em Os Defensores e, talvez, em uma participação na série do Luke Cage no fim de Setembro.

Fonte: Comic Book Movie

Designer gráfico por vocação, publicitário por formação, filósofo por piração.