Uaréva! Uaréview Uaréview: Le Chevalier e a Exposição Universal

Uaréview: Le Chevalier e a Exposição Universal


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Intriga, espionagem, tecnologia steampunk e um cenário europeu são as armas usadas pelo escritor gaúcho A. Z. Cordenonsi para dar vida a uma história policial de época que mescla ficção com acontecimentos reais, evocando os antigos folhetins de aventuras de Alexandre Dumas.

Le Chevalier e a Exposição Universal nos leva até a Paris do ano de 1867, impulsionada pela tecnologia a vapor desenvolvida por Julio Verne, a “cidade luz” se tornou o epicentro de uma renovada Europa. É nesse cenário que o Imperador Napoleão Bonaparte promove a Exposição Universal, um evento para mostrar ao mundo as invenções francesas e receber as inovações tecnológicas de outros países.

Porém, uma ameaça paira sobre a cabeça de Napoleão: em uma guerra de apenas sete semanas, a Prússia derrotou a Áustria e lançou seus olhos cobiçosos sobre a França. A partir daí, uma conspiração começa a ser revelada nos becos sujos da capital, para desvendá-la é convocado um espião sem passado, conhecido apenas por seu codinome: Le Chevalier!

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A obra foi lançada em 2015 pela Avec Editora e traz um interessante cenário que mistura catacumbas de ratos, assassinos treinados, jantares de galã e perseguições marítimas trabalhando um gênero literário pouco explorado no Brasil. Entretanto, seu formato de construção tanto narrativa quanto de personagens é o que podemos chamar de bem padrão.

Se de um lado temos invenções steampunks como robôs, animais mecânicos, e um tom de intriga bem realizado, desenvolvendo aos poucos os mistérios com resoluções satisfatórias, por outro lado temos alguns lugares comuns que acabam atrapalhando a história. Chevalier, por exemplo, é um detetive no melhor estilo Sherlock Holmes, o que nos faz imaginar que ele sempre estará correto ou, se não, equivocado por pouco. Além disso, ele tem seu próprio Watson, aqui travestido no ex-legionário de nome Persa.

A dinâmica narrativa também se foca bastante na ação e conspiração que quer contar e pouco em desenvolver seus personagens, que aparecem quase como estereótipos do estilo ou para ter uma função a história. Esse, por sinal, é o maior pecado do livro, pois, nos dá personagens tão interessantes e não adentra de fato em suas complexidades, deixando-os muito unidimensionais. Penso que essa seja uma forma de manter o mistério em torno de personas como Chevalier para explorá-los em novas publicações (percepção confirmada até ao ver o lançamento da HQ Le Chevalier – Arquivos Secretos, explorando o passado do personagem). Isso acabou me frustrando na leitura pois queria saber mais também de coadjuvantes que roubam a cena como a garotinha Juliette, o próprio Persa e seu macaco mecânico.

Alias, os tais drozdes, robôs em formas de animais, dão um ar muito legal a história e constroem um cenário de inovação tecnológica que para mim não é tão bem explorado como poderia, mas que geram cenas de ação muito boas. Fiquei muitas vezes me pegando pensando como seriam tais sequencias em uma animação ou filme, o que, inclusive, me fez perguntar por que a escolha de uma história passada na Europa em uma publicação puramente brasileira na qual não usa do nosso país também? Mas, sei que isso aí é mais uma birra minha que uma obrigação dos autores nacionais.

No geral, Le Chevalier e a Exposição Universal é um livro divertido, cumpre seu papel de entreter, mas que poderia ir bem além do que vai (e que espero que vá ainda). O livro tem 192 páginas e você pode comprá-lo clicando AQUI.

Nota: 7.0

PS: O Brasil não participou da Exposição Universal de 1867 (que sim, existiu de fato), mas enviou dados cartográficos sobre o país, você pode conferi-los no link: http://bit.ly/2hO0x6D

Jornalista, Mestre em Comunicação, autor dos livros O Maior Espetáculo da Terra (Editora Penalux, 2018), MicroAmores (Escaleras, 2020) e Grãos de Areia (Urutau, 2022)

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