Vejo muitas pessoas maldizerem algumas músicas referentes ao mundo nerd em geral, por simplesmente não conseguirem, ou nem tentarem, olhar mais atentamente, além da superficialidade (sei que para muitos isso é difícil) do que está à frente dos olhos. Por isso, resolvi trazer uma dessas obras primas geniais e mal compreendidas para analisar e explicar para seres como vocês que nada entendem sobre genialidade. È só clicar no Leia Mais abaixo e ver (tem que explicar tudo para esse povo! Pff…)
JORGE VERCILO
Eu adoro andar no abismo
Numa noite viril de perseguição
Saltando entre os edifícios
Vi você…
Que cercado pela polícia
Te fez refém
Lá nos precipícios
Foi paixão à primeira vista…
Te salvando com a minha teia
Prazer!
Me chamam de Homem-Aranha
Seu herói!
Das compras do mês
No telhado, ajeitando
A antena da tevê
Acordado a noite inteira
Pra ninar bebê…
Nessa parte, ele dialoga com a situação atual do herói no mundo dos quadrinhos, e o martírio vivido por ele nos últimos anos com histórias sofríveis. Inicialmente, retrata o peso da busca constante por vendagem e “audiência” de seus gibis, fazendo uma metáfora de uma vida que ao invés de ser um exemplo, em cima do telhado o personagem só conserta antenas. Remetendo até a fase em que Peter Parker foi pai, por um curto período, de uma filha sua com Mary Jane Watson Parker chamada May Parker, ao qual sumiu depois – um claro exemplo de falta de direção nas histórias em um período negro editorial.
De bala perdida pra deter
Eu tenho uma idéia:
Você na minha teia…
Seja em Brasília ou aqui
Eu tive a grande idéia:
Você na minha teia…
Nessa sua ingênua sedução
Que me pegou na veia
Eu tô na tua teia…
Na última parte, Vercilo joga na mesa a importância do leitor protestar contra os absurdos editoriais cometidos, e usar da ingenuidade de uma criança – que acredita em um mundo de faz de conta – para adentrar na veia e prender o personagem numa teia benigna que o fará retornar aos bons tempos de luta de policia e ladrão onde ele encontrou o personagem.
Bem, espero ter aberto os olhos de vocês, jovens que não entendem a genialidade quando a vêem, e criado o interesse de sempre tentar entender o que está escrito nas entrelinhas. Quem sabe outra hora não retorno com mais uma sessão de esclarecimentos para mentes incultas? Mande sua sugestão de música para uarevaa@gmail.com e pensarei se a esmiúço aqui.
Agora apreciem uma boa música depois (espero eu) de terem entendido suas nuances:
Por Marcelo Soares
a.k.a. Starman
