O Exorcista – Vidas

“Especialmente importante é o alerta de evitar conversas com o demônio. Pode-se perguntar o que é relevante, mas qualquer coisa além disso é perigoso. Ele é um mentiroso. O demônio é um mentiroso. Ele mentirá para nos confundir. Mas também misturará meniras com a verdade para nos atacar. O ataque é psicológico, Damien, e poderoso. Então não dê ouvidos à ele. Lembre-se disso – Não dê ouvidos”.

Padre Merrin – O Exorcista


Tema Macabro

Um clássico que dispensa apresentações, “O Exorcista” foi a produção que trouxe uma cara diferente para o terror e arrebatou – e apavorou – milhões de pessoas pelo mundo afora. Mas o que talvez pouca gente saiba são as origens da produção e o que essas origens geraram na ficção além do filme. No post de hoje, vou abordar o contexto histórico por trás da história e nos próximos abordarei os filmes baseados no evento.

Acho que todo mundo que conhece o filme “O Exorcista” sabe – ou ouviu dizer – que a história é baseada em um evento que supostamente aconteceu. Mas quem eram os envolvidos? De onde veio essa história?

A história que cerca o caso real que inspirou O Exorcista é nebulosa, mas caso tenha realmente acontecido, se torna tão – ou mais – assustadora que a historia de ficção. Em algum lugar não divulgado dos EUA, Robbie Mannheim (também conhecido como Roland Doe) era um garoto comum de uma típica família luterana dos anos 40 que gostava de jogos e histórias em quadrinhos. Sendo filho único, acabava ficando a maior parte do seu tempo com adultos, que geralmente eram sua única companhia.

Mannhein ficava grande parte do seu tempo com sua tia Harriet, que tratava seu sobrinho mais como um amigo do que como sobrinho. Sua tia tinha um Tábuleiro Ouija para contatar os entes queridos que já faleceram e, quando Robbie demonstrou interesse em aprender a respeito, ela lhe ensinou como aquilo funcionava. O assunto interessou bastante Robbie, que acabou tendo uma em casa e usando-a sozinho, mesmo quando não estava com sua tia.

A partir de 1949, coisas estranhas começaram a acontecer na casa de Robbie. Primeiro, sons de goteira que vinham de lugar nenhum e continuavam ininterruptamente. Ao tentar investigar de onde vinham os sons, Robbie e sua vó não encontraram nada; mas alegam que em dado momento, uma pintura de Cristo que havia na casa começou a tremer sem motivo aparente. Mais tarde, este barulho cessara, mas daria origem a novos ruídos de batidas e arranhadas, que os pais de Robbie atribuíram à ratos. Mas apesar de uma longa busca, o pai de Robbie não conseguiu encontrar nenhum roedor na casa.

11 dias depois destes incidentes, Harriet, tia de Robbie e sua grande amiga falece, o que deixou Robbie devastado. Os historiadores do assunto alegam que o garoto tentou usar seu tábuleiro Ouija para contactar sua tia, e talvez isto tenha levado à subseqüente possessão. Nos dias posteriores, a família passou a ser alvo de atividades paranormais de poltergeist, onde móveis e artefatos ao redor se moviam sozinhas sem nenhuma explicação. O fenômeno, segundo algumas fontes, não se limitava apenas à casa, e parecia estar ligado ao garoto, uma vez que incidentes semelhantes ocorriam também em outros locais onde ele estava (como na escola, por exemplo).

De acordo com o depoimento do Reverendo Luther Miles Schulze, o garoto foi examinado por médicos e psiquiatras, que não conseguiram encontrar respostas científicas para os fenômenos, e foi aí que a família, desesperada, se voltou para o Reverendo em busca de ajuda.

O garoto ficou em observação, onde foram observados outros tipos de fenômenos, inclusive durante o sono. Como as atividades poltergeist continuaram, o reverendo se convenceu que haviam forças sobrenaturais atuando e decidiu por realizar um exorcismo.

Ainda segundo a história conhecida e coletada pelos supostos envolvidos, Robbie foi levado para a Igreja Anglicana, onde foi submetido a um processo de exorcismo. Durante esse processo, o garoto acabou ferindo o padre, que enviou o garoto de volta para casa. Em casa, outros fenômenos ocorreram. O garoto gritava incessantemente e em dado momento foi possível ler a palavra “Saint Louis” escrita em sangue em seu peito. Após isso, a família foi de trem para St. Louis, onde acabaram entrando em contato com o padre William S. Bowdern, que ao observar os eventos relacionados ao garoto (entre eles, a aversão à objetos sagrados para o catolicismo, a cama que chacoalhava, objetos voadores e Robbie falando línguas desconhecidas – que o padre atribuiu à linguagens demoníacas), soliciou à arquidiocese a permissão para praticar o exorcismo no garoto. O exorcismo foi aprovado, nas seguintes condições: O próprio padre seria o responsável pelo exorcismo, deveria manter atualizado um diário para registrar os eventos e deveria manter em segredo o local onde o exorcismo seria realizado.


Suposto caso de possessão nas Filipinas

No total, foram realizados cerca de 30 rituais de exorcismo num período de 2 meses, os quais foram acompanhados de
diversos eventos alegadamente inexplicáveis, como a cama que se movia sozinha, um recipiente de água benta que pairava no ar, palavras como “Evil” – mal – e “Hell” – inferno apareciam esporadicamente no corpo do garoto e ele falava com tom de voz que não era o dele). Quando perguntaram para o suposto espírito quando ele iria embora, ele respondeu que só iria quando Robbie proferisse as palavras certas. Eventualmente, o garoto proferiu as palavras “Christus, Domini“, e ouviram-se ruídos e barulhos altos por todo o local. Após isso, tudo parecia estar acabado. O local onde ocorreu o exorcismo foi selado para que ninguém pudesse entrar.

Fontes alegam que, após isso, a família nunca mais fora atormentada novamente. Robbie cresceu feliz e normal, casando-se e ornando-se um pai de família.

Obviamente, muitos aspectos desta história até hoje estão sob discussão. Um historiador alega que encontrou evidências de que o tal exorcismo nunca ocorreu realmente, e que o próprio padre envolvido nos eventos dia que as coisas não foram bem assim, e inclusive alguns amigos de Robbie alegaram que os eventos eram exagerados e muitas das coisas que aconteceram podiam ser facilmente explicadas.

Os psiquiatras, obviamente, possuem suas próprias explicações para os fenômenos, entre elas Transtornos de Múltiplas Personalidades, Síndrome de Tourette, esquizofrenia, Automatismo, Transtorno Compulviso-obcessivo, histeria coletiva e até abuso sexual. Até hoje a história permanece inexplicada e não se sabe quais dos eventos realmente aconteceram e quais foram invenção. Nota-se, no entanto uma forte influência das crenças cristãs dos envolvidos, o que pode ter prejudicado o julgamento deles dos eventos, mas é aquela coisa, nunca se sabe.

Curiosidades:
– Robbie Mannheim/Roland Doe não são os nomes reais do garoto. O nome real sempre foi mantido em segredo, e até hoje não se sabe nada sobre a família, de onde vieram, e se ainda existem parentes vivos – ou se o próprio garoto ainda está vivo.
– O nome Robbie Mannhein foi dado pelo primeiro historiador do caso, Thomas Allen;
– Saint Louis é uma cidade americana do Missouri, onde Harriet, tia de Robbie faleceu;
Christus, Domini, em Latim que dizer “Cristo, o Senhor“.

Na próxima madrugada:
Damos uma pausa para mostrar algumas dicas de filmes para se ver no dia dos namorados no Dia dos Namorados Macabro. Depois, voltamos a falar de exorcismo (s)

Podcast, Quadrinhos, CInema, Seriados e Cultura Pop

Related Post