Justiceira fantasma do centro de São Paulo busca apoio no Catarse

No coração vibrante da cidade de São Paulo existe uma lenda urbana: a garota fantasma da Liberdade, como as pessoas a chamam entre sussurros. Ninguém sabe se ela existe de verdade, mas, ocasionalmente, no bairro japonês, ela é vista durante as madrugadas, sempre no escuro, correndo sobre a borda do viaduto ou empoleirada sobre um dos postes em formato de lanterna.

Essa é a premissa de KIN, uma HQ que já está em pré-venda por meio da plataforma Catarse de financiamento coletivo, até 14 de setembro, no endereço: www.catarse.me/kin

O roteiro é assinado pelo sorocabano G. Profeta, jornalista e Mestre em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas. KIN é a sua segunda história em quadrinhos sua, a primeira foi Melissa em Ellipsia, também financiada no Catarse em 2016. A arte leva a assinatura do ilustrador Fabio Vieira, cujo portfólio consta exposições no Brasil, na Itália e nos Estados Unidos, além da edição dos quadrinhos O Peso da Água, Lucy in the Sky e A Rainha Pirata, todos viabilizados por financiamento coletivo.

O modelo de financiamento, segundo os autores, foi escolhido por possibilitar total controle sobre o desenvolvimento editorial da HQ, do roteiro à impressão. “A publicação por crowdfunding tem se provado uma alternativa à editoração tradicional, principalmente por aproximar o público de novos artistas independentes, geralmente mais dispostos à experimentação”, explicam.

“Esse é o caso de KIN, cuja narrativa é bastante experimental”, afirma o roteirista.“Um dos pontos com os quais brincamos bastante é o próprio cenário urbano, que funciona como um personagem. Toda a história se dá no centro de São Paulo, no beco da Liberdade, na Catedral da Sé, na Avenida Paulista. Por isso, nós demos atenção particular ao desenvolvimento desses cenários, do roteiro à arte, para que o leitor local pudesse se sentir dentro da história. Nós, como consumidores, estamos saturados de narrativas que se passam em Nova Iorque ou em Tóquio, por exemplo. Em KIN, nós queremos contar uma história paulistana, por assim dizer – ainda que venha naturalmente carregada de inspiração japonesa, seja pelo bairro da Liberdade ou pelo próprio estilo artístico, conduzido pelo Fabio com maestria.”

“Para KIN, eu busquei referências no realismo do mestre TakehikoInoue, autor de Vagabond, e nos retratos da vida urbana de Scott McCloud, em O Escultor”, destaca Fabio, que acumula anos de estudo e prática na arte do mangá.

Sua grande preocupação nesse projeto foi respeitar a tradição do shodo e do sumi-e, técnicas tradicionais de caligrafia e desenho com pincel. Por isso, grande parte da arte-final de KIN será conduzida com os velhos nanquim e pincel. Além dessas, outras influências visuais incluem os trabalhos do estúdio CLAMP (xxxHolic, Gate7) e de Tite Kubo (Bleach).

“O importante é que o traço revele a intensidade do sentimento”, diz Fabio. “KIN é uma história sobre justiça, escolhas e consequências, mas, acima de tudo, é uma história sobre sentimento. E isso conversa com qualquer ser humano. Sofrimento, ódio, tristeza. Aceitar e conviver com tudo isso é uma grande lição. Em nossas vidas, fazemos isso o tempo todo, com ou sem uma katana nas mãos.”

A HQ deverá estar disponível até o começo de 2018 se o projeto de financiamento for bem-sucedido. A primeira edição será uma publicação do Studio Magenta, uma iniciativa da Anima Academia de Arte, há 10 anos no mercado de Campinas, que tem como objetivo publicar e divulgar trabalhos artísticos de profissionais e amadores.

Página no Facebook: https://www.facebook.com/studiomagenta.art

 

Jornalista, Mestre em Comunicação, escritor, trabalha com assessoria de imprensa e é editor do nosso podcast.