Uaréview: Laerte-se

Laerte é uma baita personagem, tanto por sua inteligência, talento artístico, posicionamento político quanto pela importância que adquiriu ao se assumir uma mulher trans. Alias, esse tema é o foco principal do documentário que aborda as dificuldades e o processo externo e interno da cartunista em deixar o visual masculino pelo feminino.

Sinopse: Retrata a trajetória da cartunista e chargista brasileira Laerte, considerada uma das mais proeminentes do gênero no Brasil. Tendo vivido parte de sua vida como homem, ela assumiu sua transexualidade aos 57 e, de lá pra cá, experimenta uma jornada única e pessoal sobre o que é, de fato, ser uma mulher.

Aprovação da família, da sociedade, mudança no trabalho, duvidas, inseguranças, todas essas questões são colocadas por Laerte ao longo de quase duas horas de filmagem onde ele pouco sai de tela. Inclusive, pra mim, essa onipresença física da personagem atrapalha um pouco.

O documentário é um tanto superficial em mostrar a pessoa Laerte além de sua transexualidade. Senti falta em vermos mais respiros narrativos com as coisas que o cercam, com seu cotidiano. Ele pouco aparece fora de casa se não for em eventos ou em encontros com familiares; temos seu gato que aparece ao longo do filme, mas, nada sabemos de porque ele tem problemas físicos ou como apareceu na vida da artista.

Vemos a constante reforma na casa colocada em paralelo com a “reforma” no corpo de Laerte que quer colocar silicone. Também a bagunça que é o interior de sua morada, mas faltou cinematografia pra não ficar cansativo o filme com só falas e exibição de tiras. O uso de música, de letreiros, até de certas planificações me soaram às vezes bregas, monótonas.

Apesar disso, é um documentário importante de se ver, que fala de uma temática forte e necessária de ser debatida sempre.

Nota:  8.0

Jornalista, Mestre em Comunicação, escritor, trabalha com assessoria de imprensa e é editor do nosso podcast.